quinta-feira, 15 de julho de 2010

Amigos, psicanálise e poesia...


...uma coisa leva à outra.

Freud acreditava que o artista expressa em sua obra uma intenção e que essa intenção deveria produzir em nós a mesma constelação mental que o artista teve no momento da criação. A intenção do artista poderia ser comunicada e compreendida em palavras junto com todos os outros fenômenos da vida mental. É bom lembrar que Freud usa o verbo no futuro do pretérito: “deveria” despertar em nós... Sabemos que nem todos têm a possibilidade – e isto não é uma questão intelectual - de serem capturados pelos sentimentos que os artistas experimentaram no momento do despertar, a ”bon-heur” como diria Lacan, a hora boa, a sorte feliz, pois essa hora é tanto imprevisível quanto fugidia.
Bom, vamos ao ponto aonde quero chegar.
Hoje, minha “bon-heur” se deu no encontro com uma amiga que, generosamente, me fez reencontrar Drummond.

“Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão apegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio, danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.”

Carlos Drummnond de Andrade (1902-1987)

Um comentário:

  1. Falta... a presença da ausência do que insiste em ocupar lugar mesmo sem estar!

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